aliciante

Recomeça... se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade. Miguel Torga

Outubro 08, 2004

O meu olhar

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Alberto Caeiro

3 comentários:

  • At 8 de Outubro de 2004 10:30, Blogger Bártolo said…

    Não conhecia. É lindo este texto.

     
  • At 8 de Outubro de 2004 10:32, Blogger pedra said…

    É muito bom reflectir sobre os últimos versos do heterónimo de Fernando Pessoa, porque há demasiadas pessoas a pensar no que é amar para tentar compreender e depois dá no que dá. Uma boa reflexão sobre o assunto ajudará todos os amantes.

     
  • At 8 de Outubro de 2004 18:20, Blogger nikonman said…

    Quem ama, vive! E nem todos têm a capacidade de viver para amar.
    Mas aqui em AC retenho as suas palavras sobre o olhar. O essencial!

     

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